Segundo a Jornalista Patrícia Kogut, do O Globo, "Guerra dos Sexos" é inferior à "Cheias de Charme". Confira a crítica da jornalista à novela de Silvio de Abreu.
"O capítulo final de “América”, novela de 2005 de Gloria Perez, foi
marcado pela discussão em torno do beijo gay entre os personagens de
Bruno Gagliasso e Erom Cordeiro. De lá para cá, vimos dois homens se
beijando mais de uma vez na TV, até mesmo em “Brothers & sisters”,
série, como o nome indica, mais família impossível, espécie de “Os
Waltons” ou de “Família dó-ré-mi” dos dias de hoje. Em “Avenida Brasil”,
acompanhamos a construção, e posterior desmanche, de um casal de três —
uma menina e dois meninos.
Por essa e outras, “Guerra dos sexos”,
ao opor homens e mulheres, transita num fio de credibilidade muito
frágil. Nenhum dos inúmeros embates entre machos e fêmeas do remake
escapa do anacronismo. Um exemplo: Charlô (Irene Ravache) caiu de
paraquedas no campo de golfe onde estavam Otávio (Tony Ramos) e Olívia
(Marilu Bueno) e eles entabularam uma discussão comprida. Os atores são
ótimos, mas a blague era construída em torno das colisões entre machismo
e feminismo e não teve fôlego. Quando a sequência se encerrou com a
empregada caindo desmaiada, a frase final, de Otávio, “se fosse um homem
estaria de pé”, não fez sentido. Afinal, Charlô é mulher, e, mais do
que “em pé”, estava nos ares, pilotando um avião, e ninguém estranhou.
Ao contar com uma personagem mulher paramentada como piloto de aviões, a
novela emite um signo de libertação feminina; assim, tenta escapar da
própria armadilha. Mas, é inexorável, acaba caindo nela de novo.
“Guerra
dos sexos” amarga ainda a comparação inevitável com “Cheias de charme”,
sua antecessora. Naquela história, três moças de hoje, trabalhadoras e
valorosas, puxavam uma trama moderna. Isso porque ela não apenas
refletia o comportamento da maioria da população feminina, mas dava o
pulo do gato em direção à internet e ao cruzamento de mídias. Diante
disso, “Guerra dos sexos” é um retrocesso.
Informações exatraídas do site O Globo, Patrícia Kogut.