
Primeira novela de Mário Prata, que a iniciou sem grandes conhecimentos do veículo. No entanto, demosntrou convincente habilidade de armar dialogos, conduzir as tramas, e apresentar um passado próximo e extremamente diferente da geração daqueles meados dos anos 70. Conclusão: a novela foi um estrondoso sucesso e marcou o ano 1976. A cidade de Itaboraí foi escolhida para representar Albuquerque, porque sua praça principal dava bem a idéia de uma cidade do interior paulistano.
"Na história em que Françoise Forton é eleita Miss Albuquerque, Miss São Paulo e depois Miss Brasil, eu armei um truque para obter dela como atriz uma reação bem positiva e altamente dramática. (...) Convidei o eterno apresentador Hilton Gomes e a charmosa e eterna apresentadora Marly Bueno, meus amigos; com pouca publicidade conseguimos colocar dentro do Maracanãzinho cerca de 10.000 pessoas (...)Para não se tornar maçante a gravação, eu combinei com todos que deveríamos gravar direto, sem pausas (...) Ninguém sabia o desfecho (...) Antes de começar a gravação das cinco finalistas, fiz uma pequena pausa na gravação, fui pessoalmente ao ouvido de Françoise e disse que ela tiraria segundo lugar porque senão não poderia casar com o galã. Claro que era mentira. (...) Preparei uma câmera dela e quando o Hilton Gomes anunciou o segundo lugar, e que não era ela, a partir de então comecei a gravar seu close de aflição. Se ela não era a segunda, então seria a vencedora. E foi o que aconteceu. Obtive dela uma reação realista ao extremo, até lágrimas de emoção ela deixou cair."
Um dos poucos erros estratégicos de Mário Prata foi tentar interferir no que seria o tema de abertura. Queria a canção Parece Que Foi Ontem, interpretada por Caetano Veloso. Mas a direção e o departamento artístico da emissora preferiram a música de Celly Campelo. Resultado: a cantora saiu do ostracismo e relançou outros sucessos da época. Todo o país voltou a dançar antigos sucessos, os concursos de twist se multiplicaram em festas e colégios, as moças passaram a usar saias rodadas.
Estúpido Cupido foi a última novela da Globo produzida em preto-e-branco. Os seus dois últimos capítulos foram gravados em cores e mostraram o paradeiro dos personagens em 1977.
Muitos foram os destaques do elenco: Ney Latorraca caiu no gosto popular com o seu Mederiquis, personalizando o "rebelde sem causa" dos anos 60. Leonardo Villar e Maria Della Costa viveram um casal romântico maduro, contrastando assim com os demais parzinhos de jovens namorados. Célia Biar e Kleber Macedo estiveram impagáveis como uma dupla de fofoqueiras de língua afiada que passava o dia trocando telefonemas: o vídeo era dividido em dois e o público se divertia com as caretas daquela que contava a fofoca e da outra que ouvia a novidade. O bordão da dupla se tornou popular na época: "Fala danadinha, fala!".
Ney Latorraca - cujo nome completo é Antônio Ney Latorraca - narra em seu livro Muito Além do Script:"Meu personagem se chamava Antônio Ney Medeiros e o apelido era Mederiquis. Quando vi as chamadas no ar, não gostei do visual - era um personagem muito maquiado - e resolvi sair da novela. Guta (diretora de elenco da Globo) foi lá em casa e me impediu: "Que bobagem é essa? Você vai voltar, fazer o trabalho e, se não está satisfeito com o resultado, invente outra maneira de fazer o papel".
"Aí mudei tudo. Fiz o Mederiquis sem a peruca, sem a maquiagem, com calças pretas superapertadas, botas bem grandes. (...) E Mederiquis acabou virando um grande sucesso dentro da novela."
O autor Mário Prata chegou a participar em 4 capítulos da novela, como o colunista social Mário Alberto, jurado no concurso Miss Albuquerque.[fonte: Revista Contigo nº 210]
O LP da trilha sonora nacional vendeu mais de 1 milhão de cópias, o recorde da época. Consolidava-se assim a boa vendagem de discos de trilhas de telenovelas, num projeto que fora iniciado em 1971.
A novela foi reprisada a partir de maio de 1979, às 14 horas.
A próxima novela que vamos relembrar aqui no blog será "Feijão Maravilha". Ate lá!